‘O dinossauro’ (com licença do Senhor A. Monterroso)

Por Félix J. Castaño

Caatinga_-_Sertão_nordestino

Quando despertou, o zebro já não estava ali.
– Olha, o raio de besta … ó seu zavado!
Exclamou o Homem, zangado consigo próprio por não o ter atrelado pela soga.
– Foi azar ou simples asneira, mais outra, espécie de zote! Resmungava entre dentes.
O Homem pegou no seu descurado chapéu de velho cangaçeiro e saiu então daquele sujo casebre. Isolado na enormidão da planície ardente, o imenso sertão espinhoso, mas que considerava, porém, a sua casa. Començou a descer a íngreme encosta à procura do cavalo perdido. Os abutres pairavam num alto céu impiedoso, na espera da carcaça dalgum zorrinho exânime … os únicos animais que conseguiam, às vezes, sobreviver na solidão daquele planalto queimado pelo sol … “¡Malditos zopilotes!”, bradou.
Finalmente chegou ao ribeiro: apenas um estreito e serpenteante fio de água dum saibo quase salobro, e que jamais tinha conseguido apagar a sua sede … os profundos sulcos da sua sede, mais antigos do que o tempo …
O zunir dos gafanhotos era o único som vivo na agreste, clamorosa vastidão da terra seca.
Sentiu logo como a fome lhe roía as entranhas, e conseguiu apanhar os raros frutos dum solitário zambujo que mal crescia entre umas rochas. As ásperas olivas, muito ríspidas, lembravam-lhe o sabor dos hirtos bagos do zimbro: dum gosto quase metálico … num azedume de zinco.
FIM.

NOTA BENE.
Esta especie de cuentito se debe a un ejercicio desarrollado en mi nuevo curso de portugués. Comencé a garabatear, corregir, escribir … y al final resultó esto. El título, y la primera frase, son fruto de un asalto descarado al fantástico y conocido microrrelato de Augusto Monterroso. Y el resto, sobre todo el ambiente, le deben mucho a “Pedro Páramo”, a las viejas películas de Glauber Rocha … e incluso a una poco conocida aventura de Corto Maltés en el Sertón titulada “Bajo el signo de Capricornio”.. Mi admiración y reconocimiento a todos ellos. Y gracias, como siempre, a Mª Jesús, por sus oportunas y amables correciones. Las torpezas son únicamente mías.
Muito obrigado, então, pela vossa paciência!

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